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tratamentos

Rotura da coifa dos rotadores: reabilitação do ombro

Por PHYSIO4ALL

Uma rotura da coifa dos rotadores pode significar dor ao levantar o braço, dificuldade em dormir sobre o ombro afetado e perda de força. A fisioterapia é frequentemente o tratamento de primeira escolha, especialmente em roturas parciais e em pacientes com menor exigência funcional. Mesmo quando a cirurgia é necessária, a reabilitação pós-operatória é o que determina o resultado final.

O que é a coifa dos rotadores, afinal?

São quatro músculos — supraespinhoso, infraespinhoso, subescapular e redondo menor — que envolvem a cabeça do úmero como uma manga e estabilizam a articulação do ombro. O supraespinhoso é o que se lesiona mais frequentemente, em parte por causa da sua posição anatómica: passa por baixo do acrómio, num espaço relativamente apertado.

As roturas podem ser degenerativas (desgaste progressivo com a idade) ou traumáticas (uma queda, um esforço súbito). A partir dos 50 anos, as roturas degenerativas são bastante comuns — e muitas são assintomáticas. Há estudos de ressonância magnética que mostram roturas em pessoas que nunca tiveram dor no ombro. Por isso, ter uma rotura na ressonância não significa automaticamente que precisa de cirurgia.

Cirurgia ou fisioterapia?

Esta é a grande questão. E a resposta depende de vários factores: o tipo e tamanho da rotura, a idade do paciente, o nível de atividade, e a gravidade dos sintomas.

Em roturas parciais ou roturas totais pequenas em pacientes com mais de 60 anos e baixa exigência funcional, a fisioterapia como tratamento principal pode dar excelentes resultados. Um estudo publicado no JBJS em 2014 mostrou que cerca de 75% dos pacientes com roturas atraumáticas da coifa obtiveram resultados satisfatórios com tratamento conservador ao fim de dois anos.

Já em roturas traumáticas agudas em pessoas jovens e ativas, a reparação cirúrgica tende a ser a melhor opção. E em roturas massivas com atrofia muscular significativa, o prognóstico é mais reservado independentemente da abordagem.

Como funciona a reabilitação

Quer se opte pelo tratamento conservador ou pela cirurgia, os princípios da reabilitação são semelhantes — o que muda é o timing e a progressão.

No caso pós-cirúrgico, há tipicamente um período de imobilização com tipoia de 4 a 6 semanas, durante o qual se fazem apenas movimentos passivos e pendulares suaves. É frustrante para o paciente, eu sei. Mas respeitar este período é crucial para permitir a cicatrização do tendão reparado.

Depois vem o trabalho a sério. Recuperar a amplitude de movimento activa, fortalecer a coifa e os estabilizadores da escápula, e progressivamente voltar às atividades normais. O processo todo pode demorar 4 a 6 meses, e a recuperação completa pode estender-se até um ano.

No tratamento conservador, a abordagem é mais agressiva desde o início. O foco está em:

Gestão da dor — técnicas manuais, eletroterapia, e modificação de atividades que agravem os sintomas. Dormir com uma almofada sob o braço afetado pode fazer uma diferença surpreendente na dor noturna.

Fortalecimento progressivo — começando com exercícios isométricos e progredindo para exercícios com banda elástica e pesos leves. Os rotadores externos são geralmente os mais deficitários e os mais importantes de trabalhar.

Treino escapular — muitas vezes negligenciado, mas fundamental. A escápula é a base sobre a qual o ombro funciona. Se a escápula não se move bem, o ombro compensa. E é essa compensação que frequentemente perpetua a dor.

O papel do paciente

A reabilitação do ombro exige compromisso. Os exercícios em casa, feitos consistentemente, são tão importantes como as sessões em clínica. Na PHYSIO4ALL costumo dizer aos pacientes que o meu trabalho é avaliar, tratar e ensinar — mas o deles é fazer os exercícios nos outros seis dias da semana.

Se tem dor no ombro que o limita nas atividades diárias, não adie a avaliação. Quanto mais tempo passa, mais compensações o corpo cria, e mais difícil se torna o caminho de volta.

Nota: Este artigo tem carácter meramente informativo e não substitui a avaliação por um profissional de saúde qualificado.

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PHYSIO4ALL

Clínica de fisioterapia personalizada em Gondomar, Porto. 12 serviços de fisioterapia + 6 consultas médicas. Registo ERS E173138.

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