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desporto

Return-to-play: o caminho de volta ao desporto após lesão

Por PHYSIO4ALL

A dor passou. O inchaço desapareceu. Já consegue andar normalmente. Então está pronto para voltar a jogar, certo? Errado. E é exactamente aqui que a maioria das recaídas acontece.

O return-to-play (RTP) é um processo clínico estruturado que define quando um atleta — profissional ou amador — pode regressar com segurança à prática desportiva após lesão. Não se baseia em sensações subjectivas. Baseia-se em critérios objectivos, mensuráveis e reproduzíveis.

Porque é que a dor não é um bom indicador

Quantas vezes já voltou a treinar porque "já não doía"?

A ausência de dor não significa que o tecido lesionado recuperou a sua capacidade funcional. Uma rotura muscular pode deixar de doer em repouso ao fim de uma semana, mas o músculo pode ter perdido 30 a 40% da sua força. Um ligamento reconstruído pode estar indolor aos três meses, mas a proprioceção e o controlo neuromuscular ainda estão comprometidos.

O consenso internacional, publicado no British Journal of Sports Medicine por Ardern et al. (2016), define o RTP como um continuum com três fases distintas.

As três fases do return-to-play

1. Return to Participation (Regresso à participação)

O atleta pode participar em treinos adaptados, com restrições. Faz exercícios específicos do desporto mas sem contacto, sem competição e com volume controlado. Aqui o foco é readaptar o corpo ao gesto desportivo.

2. Return to Sport (Regresso ao desporto)

O atleta já treina com a equipa sem restrições. Participa em exercícios de contacto e em jogos de treino. Ainda não compete oficialmente mas está integrado na dinâmica da equipa.

3. Return to Performance (Regresso ao rendimento)

O atleta compete ao seu nível anterior à lesão. Esta é a fase final e, para muitos atletas, a mais demorada. Não basta voltar a jogar — é preciso voltar a jogar bem.

Critérios objectivos que usamos

Na prática clínica, usamos uma bateria de testes para decidir a progressão entre fases. Não há receitas universais — cada lesão e cada desporto exigem critérios específicos — mas existem princípios comuns.

Para lesões do membro inferior, por exemplo:

  • Índice de simetria de força (LSI) — a força do membro lesionado deve ser pelo menos 90% do membro saudável, medida com dinamometria isocinética ou testes funcionais
  • Hop tests — uma bateria de saltos unipodais que avalia potência, controlo e confiança no membro lesionado
  • Y-Balance Test — avalia o equilíbrio dinâmico e a estabilidade em apoio unipodal
  • Testes psicológicos — escalas como a ACL-RSI avaliam a prontidão psicológica para o regresso, um factor frequentemente ignorado mas que a evidência mostra ser determinante

Na PHYSIO4ALL utilizamos estes testes de forma sistemática. Não é uma questão de opinião — é uma questão de dados.

O factor psicológico

Este é o elefante na sala que muitos ignoram.

Estudos mostram que o medo de nova lesão (kinesiofobia) é um dos principais preditores de re-lesão e de não regresso ao nível competitivo anterior (Paterno et al., Clinical Journal of Sport Medicine, 2018). Um atleta que tem medo altera os seus padrões de movimento — compensa, evita, hesita — e essas alterações biomecânicas aumentam o risco de nova lesão.

Trabalhar o aspecto psicológico não é um luxo. É uma necessidade clínica. Exposição progressiva ao gesto desportivo, definição de objectivos intermédios e um diálogo aberto sobre medos e expectativas fazem parte do processo.

Os erros mais comuns

Depois de anos a trabalhar com atletas amadores em Gondomar e no Grande Porto, posso dizer que os erros mais comuns são sempre os mesmos:

  • Voltar a competir demasiado cedo porque "o torneio é já no sábado"
  • Saltar a fase de reforço muscular porque é "aborrecida"
  • Não respeitar a progressão de carga — de nada para tudo num dia
  • Ignorar sintomas de alarme como dor, inchaço ou sensação de instabilidade

A lesão mais frustrante não é a primeira. É a segunda — a que acontece porque se voltou cedo demais.

Dê ao seu corpo o tempo que ele precisa. O desporto vai lá estar quando estiver pronto.

Nota: Este artigo tem carácter meramente informativo e não substitui a avaliação por um profissional de saúde qualificado.

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PHYSIO4ALL

Clínica de fisioterapia personalizada em Gondomar, Porto. 12 serviços de fisioterapia + 6 consultas médicas. Registo ERS E173138.

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