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Repouso ou movimento: quando deve parar e quando deve mexer-se

Por PHYSIO4ALL

Torceu o tornozelo e a avó diz para pôr gelo e ficar no sofá uma semana. Tem dores nas costas e o colega jura que a solução é repouso absoluto. Parece lógico — se dói, não mexas. Só que a evidência científica dos últimos vinte anos virou esta lógica de pernas para o ar (com perdão do trocadilho).

A regra geral, com exceções que já vamos ver, é: o movimento controlado é quase sempre melhor do que o repouso prolongado. O corpo humano responde à imobilização com atrofia muscular, rigidez articular, perda de resistência dos tendões e até alterações na forma como o cérebro processa a dor. Ficar parado demais não é neutro — é ativamente prejudicial.

Peguemos no exemplo clássico: a dor lombar aguda. Durante décadas, a prescrição era repouso no leito. Hoje, todas as guidelines internacionais dizem o oposto — manter-se ativo dentro do tolerável, evitar apenas os movimentos que provocam dor intensa, e voltar às atividades normais o mais cedo possível. Estudos mostram que pessoas com lombalgia aguda que ficam na cama demoram mais a recuperar do que as que continuam a mover-se.

Então, quando é que o repouso faz sentido? Nas primeiras 24 a 72 horas após uma lesão aguda — uma entorse, uma rotura muscular, uma fratura — o repouso relativo é indicado. Relativo, não absoluto. Significa proteger a estrutura lesada, reduzir carga e inflamação, mas não significa ficar imóvel. Mexer outras partes do corpo, manter alguma mobilidade na zona lesada (dentro do que a dor permite) e manter-se em pé e a andar continua a ser recomendado.

O velho protocolo RICE (Repouso, Gelo, Compressão, Elevação) foi atualizado. Primeiro para POLICE (Protection, Optimal Loading, Ice, Compression, Elevation) e mais recentemente para PEACE & LOVE — que inclui conceitos como carga otimizada, educação, atividade progressiva e exercício. A tendência é clara: menos repouso, mais movimento adaptado.

Há situações em que parar é obrigatório. Fraturas instáveis, pós-operatórios com restrições específicas do cirurgião, infeções articulares, suspeita de trombose venosa profunda — aqui não há margem para interpretação criativa. Siga à risca as indicações médicas.

A dor é um guia útil, mas imperfeito. Uma dor de 2 ou 3 em 10 durante o exercício é geralmente aceitável. Se a dor aumenta significativamente durante ou nas 24 horas após o exercício, provavelmente exagerou. Se mantém o mesmo nível ou reduz, está no caminho certo. Esta é a lógica do "monitorização dos sintomas" que usamos na prática clínica.

O medo do movimento — a chamada cinesiofobia — é um dos maiores obstáculos à recuperação. Pessoas que acreditam que o movimento vai piorar a sua condição tendem a evitá-lo, o que leva a descondicionamento, que aumenta a dor, que reforça o medo. Quebrar este ciclo, muitas vezes através de educação e exposição gradual ao movimento, é uma das tarefas mais importantes da fisioterapia.

Na PHYSIO4ALL, em Gondomar, trabalhamos frequentemente com pacientes que chegam convencidos de que precisam de repouso total. A conversa mais importante que temos com eles é explicar que o movimento, adaptado ao seu caso, é parte da solução e não do problema. Não é fácil mudar crenças instaladas há décadas, mas quando percebem e experimentam, a diferença é visível.

Em resumo: lesão aguda, primeiros dias — proteja e reduza carga, mas não se imobilize. Dor crónica ou subaguda — mova-se, progressivamente, dentro dos limites da dor. E se não tem a certeza em que categoria cai, procure avaliação profissional antes de decidir entre o sofá e o ginásio.

Nota: Este artigo tem carácter meramente informativo e não substitui a avaliação por um profissional de saúde qualificado.

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PHYSIO4ALL

Clínica de fisioterapia personalizada em Gondomar, Porto. 12 serviços de fisioterapia + 6 consultas médicas. Registo ERS E173138.

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