Começar a reabilitação cedo: porque o tempo conta após uma cirurgia
Por PHYSIO4ALL
Após uma cirurgia ortopédica — seja uma prótese do joelho, uma reconstrução do ligamento cruzado anterior, uma artroscopia do ombro ou uma cirurgia da coluna — o tempo que decorre até ao início da reabilitação influencia diretamente o resultado final. Os estudos indicam que a fisioterapia precoce pode reduzir o tempo de recuperação, prevenir complicações e melhorar os resultados funcionais a longo prazo.
O que acontece quando se espera demasiado?
Cada dia de imobilização tem consequências. O músculo perde força a um ritmo de 1 a 3% por dia nos primeiros dias de inatividade, e a perda pode atingir 40% nas primeiras duas semanas. A articulação operada começa a ficar rígida por formação de aderências nos tecidos periarticulares. O padrão de marcha altera-se, o membro contralateral sobrecarrega-se e podem surgir dores compensatórias à distância.
Para além dos efeitos musculoesqueléticos, a imobilidade prolongada aumenta o risco de trombose venosa profunda, atelectasia pulmonar e descondicionamento cardiovascular. A reabilitação precoce não serve apenas para "recuperar mais depressa" — serve para prevenir complicações potencialmente graves.
Quando deve começar a fisioterapia?
Depende da cirurgia, do protocolo do cirurgião e da condição individual do paciente. Mas a tendência atual na literatura e na prática clínica é clara: quanto mais cedo, melhor — desde que respeitados os limites de segurança dos tecidos operados.
Alguns exemplos práticos:
- Prótese total do joelho — a mobilização pode começar no próprio dia da cirurgia ou no dia seguinte, com exercícios de amplitude articular e ativação muscular isométrica
- Reconstrução do LCA — os protocolos atuais iniciam fisioterapia na primeira semana, focando a extensão completa do joelho e a ativação do quadricípite
- Artroscopia do ombro (reparação da coifa) — a imobilização com tipoia é necessária nas primeiras 4-6 semanas, mas exercícios pendulares e mobilização passiva supervisionada podem iniciar-se precocemente
- Cirurgia da coluna (discectomia, laminectomia) — a reabilitação começa frequentemente nos primeiros dias, com reeducação da marcha e exercícios de estabilização lombar suaves
As fases da reabilitação pós-cirúrgica
A reabilitação não é linear nem igual para todos, mas segue geralmente uma progressão por fases:
Fase 1 — Proteção e controlo do edema (semanas 0-2): Gestão da dor e do edema, exercícios isométricos, mobilização passiva dentro dos limites seguros, crioterapia. O fisioterapeuta ensina exercícios para fazer em casa várias vezes ao dia.
Fase 2 — Recuperação da mobilidade (semanas 2-6): Progressão da amplitude articular, início de exercícios ativos assistidos e ativos, treino de marcha com auxiliares quando aplicável. O edema deve estar em regressão.
Fase 3 — Fortalecimento (semanas 6-12): Exercícios de fortalecimento progressivo, treino propriocetivo, início de atividades funcionais do dia a dia. O paciente ganha autonomia.
Fase 4 — Retorno à atividade (a partir das 12 semanas): Treino funcional específico, retorno ao desporto quando aplicável, exercício clínico para manutenção dos ganhos. Os prazos variam significativamente conforme o tipo de cirurgia.
O papel da pré-habilitação
Um conceito cada vez mais valorizado é a pré-habilitação — iniciar fisioterapia antes da cirurgia. Chegar à mesa de operações com melhor força muscular, amplitude articular e condição cardiovascular pode contribuir para uma recuperação mais rápida. Na PHYSIO4ALL, sempre que o tempo o permite, propomos aos pacientes um programa de preparação pré-cirúrgica que pode fazer uma diferença significativa no pós-operatório.
Se tem uma cirurgia marcada ou foi recentemente operado, não adie o início da reabilitação. Na PHYSIO4ALL em Gondomar, trabalhamos em articulação com a equipa cirúrgica para desenhar um plano de recuperação adequado ao seu caso, ao seu ritmo e aos seus objetivos.
Nota: Este artigo tem carácter meramente informativo e não substitui a avaliação por um profissional de saúde qualificado.