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desporto

Lesões no padel: as mais comuns e como tratar

Por PHYSIO4ALL

O padel conquistou Portugal de assalto. Pistas a brotar em todo o lado, listas de espera para jogar, grupos de WhatsApp para organizar partidas — o fenómeno é real. Mas com a explosão do padel veio também uma vaga de lesões que enche consultórios de fisioterapia de norte a sul do país.

E porquê? Porque o padel é um desporto mais exigente do que parece.

Mudanças de direção constantes num espaço confinado. Movimentos repetitivos do braço com uma raquete. Impactos com as paredes de vidro. Jogos de duas horas sem preparação prévia. A receita para problemas está servida.

Epicondilite lateral: o "cotovelo de padel"

Se a epicondilite lateral é o "cotovelo de tenista", em Portugal devia chamar-se "cotovelo de padel". É de longe a queixa mais comum entre praticantes.

A dor localiza-se na face externa do cotovelo e agrava com o aperto da raquete, com batidas de revés e com gestos do quotidiano como abrir uma garrafa ou apertar a mão a alguém.

As causas mais frequentes:

  • Grip da raquete demasiado grosso ou demasiado fino
  • Raquete demasiado pesada para o nível técnico
  • Técnica de revés deficiente (braço em vez de corpo)
  • Volume excessivo — passar de zero a cinco jogos por semana em duas semanas

O tratamento passa por exercícios de carga progressiva dos extensores do punho, gestão do volume de jogo e correcção dos factores contribuintes. Na fase aguda, uma banda de epicondilite pode ajudar a reduzir a carga sobre o tendão durante o jogo.

Entorse do tornozelo

O piso rápido e as mudanças de direção bruscas fazem do tornozelo um alvo fácil. O mecanismo clássico é a inversão do pé ao tentar alcançar uma bola junto à parede ou ao pisar o pé do parceiro.

A maioria são entorses do ligamento peroneoastragalino anterior de grau I ou II. Recuperam bem com fisioterapia — mobilização precoce, treino propriocetivo e fortalecimento dos peroniais. Mas há um problema: a taxa de recidiva é alta.

Cerca de 40% das entorses do tornozelo resultam em instabilidade crónica se não forem devidamente reabilitadas (Doherty et al., Journal of Science and Medicine in Sport, 2017). Aquela entorse "que doeu mas passou" pode estar a criar um tornozelo instável que vai ceder outra vez.

Lesões do ombro

O serviço, o smash e a bandeja exigem movimentos repetitivos do ombro em posições de vulnerabilidade — braço acima da cabeça com rotação externa. As queixas mais comuns são:

  • Tendinopatia da coifa dos rotadores — dor no ombro ao elevar o braço, especialmente nos gestos acima da cabeça
  • Conflito subacromial — dor em arco ao elevar o braço lateralmente, tipicamente entre 60 e 120 graus

O fortalecimento da coifa dos rotadores e dos estabilizadores da omoplata é fundamental para quem joga padel regularmente. Exercícios com banda elástica antes do jogo — rotação externa, retracção escapular — são um investimento de 5 minutos que pode poupar meses de dor.

Fascite plantar

O piso duro do padel e as mudanças de direção constantes sobrecarregam a fáscia plantar. Jogadores que usam sapatilhas sem amortecimento adequado ou que jogam muitas horas consecutivas são os mais afectados.

A abordagem é semelhante à dos corredores: exercícios de carga progressiva do tríceps sural e da fáscia plantar, gestão do volume e calçado adequado. Sapatilhas específicas de padel com sola espinha de peixe e bom amortecimento fazem diferença.

Lesões musculares dos membros inferiores

Gémeos, isquiotibiais e adutores — os três grupos musculares que mais sofrem no padel. Os gémeos em particular, pela exigência de acelerações e travagens curtas em pisos rápidos.

A clássica "pedrada no gémeo" — sensação de ter levado uma pedra na barriga da perna — é uma rotura muscular que pode tirar um jogador de campo durante 3 a 8 semanas, dependendo da gravidade.

Prevenção: o que pode fazer

Jogar padel em Gondomar ou no Porto sem se preparar é como conduzir sem cinto de segurança — pode correr bem durante muito tempo, até que não corre.

  • Aquecimento: 10 minutos de mobilidade articular e exercícios dinâmicos antes de entrar em campo
  • Treino de força: 2 sessões semanais focadas em membros inferiores, core e coifa dos rotadores
  • Calçado: sapatilhas específicas de padel, não sapatilhas de corrida
  • Raquete adequada: consulte um treinador para escolher peso, formato e grip adequados ao seu nível
  • Gestão de volume: não passe de um jogo por semana para cinco de repente

Na PHYSIO4ALL recebemos cada vez mais praticantes de padel. Se já tem queixas ou quer prevenir problemas, uma avaliação funcional permite identificar os seus pontos fracos antes de se tornarem lesões.

O padel é um desporto fantástico. Cuide do corpo para poder jogá-lo durante muitos anos.

Nota: Este artigo tem carácter meramente informativo e não substitui a avaliação por um profissional de saúde qualificado.

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PHYSIO4ALL

Clínica de fisioterapia personalizada em Gondomar, Porto. 12 serviços de fisioterapia + 6 consultas médicas. Registo ERS E173138.

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