Gravidez e fisioterapia: cuidar de si no pré e pós-parto
Por PHYSIO4ALL
A gravidez transforma o corpo da mulher de forma profunda e rápida. Em nove meses, o centro de gravidade desloca-se, a lordose lombar acentua-se, os ligamentos tornam-se mais laxos pela ação da relaxina e o pavimento pélvico suporta uma carga progressivamente maior. A fisioterapia pode acompanhar estas mudanças, ajudando a prevenir queixas durante a gravidez e a facilitar a recuperação no pós-parto.
Fisioterapia no pré-parto: prevenir antes de remediar
Cerca de 50 a 70% das grávidas experienciam dor lombar ou pélvica durante a gestação. Apesar de frequente, esta dor não deve ser aceite como inevitável. A fisioterapia pode contribuir significativamente para a sua redução através de exercício terapêutico adaptado, correção postural e técnicas manuais seguras.
A partir do segundo trimestre, quando as alterações biomecânicas se tornam mais evidentes, vale a pena considerar um acompanhamento que inclua:
- Exercícios de estabilização lombo-pélvica — fortalecimento dos músculos profundos do tronco para suportar as alterações posturais
- Treino do pavimento pélvico — consciencialização e fortalecimento da musculatura perineal, preparando-a para o parto e prevenindo incontinência
- Exercício aeróbio adaptado — caminhada, bicicleta estática ou exercício aquático, dentro dos parâmetros recomendados pela DGS e pelo obstetra
- Preparação perineal para o parto — massagem perineal e exercícios de relaxamento do pavimento pélvico nas últimas semanas de gestação
Os estudos publicados no British Journal of Sports Medicine indicam que o exercício regular durante a gravidez, em gestações de baixo risco, é seguro e pode reduzir a incidência de diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e macrossomia fetal. A DGS recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana durante a gravidez.
Pós-parto: o corpo precisa de atenção
O pós-parto é um período exigente, e o corpo da mulher precisa de tempo e cuidado para recuperar. A atenção que se dá ao bebé não deve fazer esquecer a mãe — e aqui a fisioterapia tem um papel importante.
As primeiras 6 semanas (quarentena) são um período de cicatrização e adaptação. Depois da aprovação do obstetra, a avaliação de fisioterapia pós-parto pode incluir:
- Avaliação do pavimento pélvico — verificar a força, a coordenação e a presença de disfunções como incontinência urinária ou prolapso
- Avaliação de diástase abdominal — separação dos músculos retos abdominais, frequente após a gravidez e que requer exercícios específicos para a sua resolução
- Avaliação da cicatriz de cesariana — mobilização cicatricial para prevenir aderências que possam causar dor ou limitar a mobilidade
- Programa de retorno ao exercício — progressão segura e individualizada para o regresso à atividade física
Quando procurar ajuda?
Procure avaliação de fisioterapia se, durante a gravidez, sentir dor lombar ou pélvica que interfere com o dia a dia, dor na sínfise púbica ao andar, ou dificuldade em realizar atividades habituais. No pós-parto, se tiver perdas de urina ao tossir, rir ou pegar no bebé, se sentir peso ou pressão pélvica, ou se notar abaulamento abdominal ao fazer esforço.
Mesmo sem queixas, uma avaliação de fisioterapia entre as 6 e as 8 semanas pós-parto pode identificar alterações que ainda não são sintomáticas mas que beneficiam de intervenção precoce. Na nossa experiência clínica, muitas disfunções do pavimento pélvico que surgem anos mais tarde — na menopausa, por exemplo — têm a sua origem num pós-parto mal acompanhado.
O acompanhamento na PHYSIO4ALL
Na PHYSIO4ALL em Gondomar, temos fisioterapeutas com formação em saúde da mulher que acompanham grávidas e puérperas em todas as fases. Desde o segundo trimestre até à recuperação completa no pós-parto, o nosso objetivo é que cada mulher se sinta informada, segura e apoiada. Porque cuidar de si é, também, cuidar do seu bebé.
Nota: Este artigo tem carácter meramente informativo e não substitui a avaliação por um profissional de saúde qualificado.