Fascite plantar: como a fisioterapia pode ajudar
Por PHYSIO4ALL
A fascite plantar é uma inflamação da fáscia plantar — uma banda de tecido fibroso que liga o calcanhar aos dedos do pé. A dor tipicamente é pior nos primeiros passos da manhã ou após períodos prolongados sentado. A fisioterapia pode contribuir para a resolução dos sintomas através de exercícios específicos, terapia manual e ondas de choque, sendo considerada o tratamento de primeira linha para esta condição.
Porque me dói tanto de manhã?
É a pergunta que todos fazem. Durante a noite, o pé fica em flexão plantar (apontado para baixo) e a fáscia encurta. Quando se levanta e apoia o pé no chão, a fáscia é estirada abruptamente, provocando aquela dor aguda no calcanhar que tanta gente conhece. Ao longo do dia, com o movimento, a fáscia vai alongando e a dor tende a aliviar. Mas volta no dia seguinte.
E este ciclo pode durar meses se não for tratado.
Quem tem mais risco?
Corredores, pessoas com excesso de peso, quem passa muitas horas de pé no trabalho, e pessoas com pé plano ou pé cavo. Mas na verdade, a fascite plantar pode aparecer em qualquer pessoa. Na minha experiência, o aumento súbito de atividade é um dos fatores mais comuns — alguém que decide começar a correr do nada, ou que muda de calçado para uns sapatos sem suporte nenhum.
A idade também conta. A partir dos 40 anos, a fáscia plantar perde elasticidade, o que a torna mais vulnerável a sobrecargas.
O tratamento em fisioterapia
O tratamento da fascite plantar exige paciência. Não é uma condição que se resolva em duas sessões. Mas a boa notícia é que a grande maioria dos casos — cerca de 80-90% segundo a literatura — resolve-se com tratamento conservador.
Alongamento da fáscia plantar e do tricípite sural — parece básico, mas é a intervenção com mais evidência. Um estudo clássico publicado no Foot & Ankle International em 2006 demonstrou que o alongamento específico da fáscia plantar (puxar os dedos para cima antes de apoiar o pé de manhã) era mais eficaz do que o alongamento da barriga da perna isoladamente. É algo que o paciente pode fazer em casa, custa zero, e faz diferença.
Fortalecimento excêntrico — exercícios de carga progressiva no tendão de Aquiles e na fáscia plantar. Um protocolo publicado no Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports em 2014 mostrou resultados muito promissores com elevações do calcanhar em carga com uma toalha enrolada sob os dedos. Simples, eficaz, e replicável em casa.
Ondas de choque extracorporais — para os casos que não respondem ao tratamento convencional após 6-8 semanas, as ondas de choque podem ser uma opção. A evidência sugere que são eficazes em casos crónicos, embora o mecanismo exacto ainda não esteja completamente esclarecido.
Palmilhas e ortóteses — podem ajudar a distribuir melhor a carga no pé, especialmente em pessoas com alterações biomecânicas. Não substituem o exercício, mas complementam-no.
O que não fazer
Andar descalço em superfícies duras quando tem fascite ativa é má ideia. Também evite a tentação de "esticar a dor" de forma agressiva — o alongamento deve ser suave e progressivo. E por favor, não compre aquelas bolas de massagem com picos e passe uma hora a esmagar o calcanhar. Pode irritar ainda mais os tecidos.
Na PHYSIO4ALL, em Gondomar, abordamos a fascite plantar de forma integrada: avaliamos a biomecânica do pé e da marcha, identificamos os factores que contribuíram para o problema, e construímos um plano que o paciente consegue seguir em casa. Porque é em casa que se faz a maior parte do trabalho.
Se aquela dor no calcanhar já dura há mais de duas semanas, não espere que passe sozinha. Quanto mais cedo começar o tratamento, mais rápido pode voltar a andar sem pensar em cada passo.
Nota: Este artigo tem carácter meramente informativo e não substitui a avaliação por um profissional de saúde qualificado.