Espondilite anquilosante e fisioterapia
Por PHYSIO4ALL
A espondilite anquilosante é uma doença reumática inflamatória que afeta predominantemente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas. Manifesta-se tipicamente por dor lombar de características inflamatórias — pior de manhã e com o repouso, melhor com o movimento. A fisioterapia regular pode contribuir para preservar a mobilidade da coluna, manter a capacidade respiratória e reduzir o impacto da doença na vida quotidiana.
Uma doença que muitos desconhecem
Quando se fala em doenças reumáticas, a maioria das pessoas pensa em artrose ou artrite reumatóide. A espondilite anquilosante é menos conhecida, mas não é rara — estima-se que afete entre 0,1% e 0,5% da população europeia. Surge habitualmente entre os 20 e os 30 anos, com predomínio masculino, embora cada vez se reconheça mais que as mulheres também são afetadas, muitas vezes com apresentações atípicas que atrasam o diagnóstico.
E esse atraso é um problema real. Em média, passam 7 a 10 anos entre o início dos sintomas e o diagnóstico. Sete a dez anos. Imaginem o impacto de viver com uma doença sem nome durante uma década.
Porque é que o exercício é fundamental
A tendência natural da espondilite anquilosante é a rigidez progressiva da coluna, podendo levar à anquilose — fusão das vértebras. O exercício regular é a melhor ferramenta para contrariar esta tendência. Não a elimina, mas pode atrasá-la significativamente.
Um estudo publicado na revista Rheumatology em 2019 mostrou que pacientes com espondilite anquilosante que praticavam exercício regular supervisionado tinham melhor mobilidade espinal, menor rigidez matinal e melhor qualidade de vida do que aqueles que não faziam exercício. E os benefícios eram evidentes mesmo em doentes sob terapêutica biológica — ou seja, o exercício complementa a medicação, não a substitui.
O programa de fisioterapia
O trabalho do fisioterapeuta com o paciente com espondilite anquilosante é diferente da maioria das outras condições musculoesqueléticas. Aqui, o objetivo não é "curar" — é gerir, manter e otimizar.
Mobilidade da coluna — exercícios de rotação, extensão e flexão lateral da coluna, feitos diariamente. São exercícios simples, mas a chave é a regularidade. Todos os dias. Sem exceções. Cinco minutos de manhã valem mais do que uma hora por semana.
Expansibilidade torácica — a espondilite pode afetar as articulações costovertebrais, reduzindo a capacidade respiratória. Exercícios de respiração profunda e mobilização torácica ajudam a manter a função pulmonar. Isto é algo que muitos pacientes não associam à doença, mas que tem um impacto real.
Fortalecimento — dos extensores da coluna, dos músculos do core e dos membros inferiores. Uma musculatura forte protege as articulações e melhora a postura. O Pilates clínico e a hidroterapia são particularmente bem tolerados por estes pacientes.
Postura — com a progressão da doença, há uma tendência para a hipercifose dorsal ("corcunda"). Exercícios posturais e consciencialização corporal podem ajudar a minimizar esta alteração.
O papel da hidroterapia
A hidroterapia merece uma menção especial. A água quente relaxa a musculatura e reduz a rigidez, enquanto a flutuação permite movimentos que seriam difíceis em seco. Muitos dos meus pacientes com espondilite anquilosante referem que as sessões de hidroterapia são o momento em que se sentem mais livres. A evidência suporta esta perceção — uma meta-análise publicada no Journal of Rehabilitation Medicine em 2018 encontrou benefícios significativos da hidroterapia na dor, rigidez e função em doentes com espondilite anquilosante.
Viver com espondilite anquilosante
É uma doença crónica e exige adaptação. Mas crónica não significa que a vida para. Com a combinação certa de medicação, exercício e acompanhamento, muitos pacientes mantêm uma vida perfeitamente ativa e funcional. Na PHYSIO4ALL, na zona de Porto e Gondomar, trabalhamos em articulação com reumatologistas para oferecer um programa de exercício adaptado a cada fase da doença.
Se foi diagnosticado com espondilite anquilosante e ainda não faz fisioterapia regularmente, considere seriamente começar. O seu corpo futuro vai agradecer-lhe.
Nota: Este artigo tem carácter meramente informativo e não substitui a avaliação por um profissional de saúde qualificado.