Epicondilite lateral: o cotovelo de tenista
Por PHYSIO4ALL
O cotovelo de tenista — ou epicondilite lateral — é uma dor na parte de fora do cotovelo causada pela sobrecarga dos tendões extensores do punho. Se lhe dói pegar numa garrafa de água, rodar uma maçaneta ou apertar um simples aperto de mão, é provável que esteja a lidar com esta condição. A fisioterapia pode contribuir para a recuperação através de exercícios de carga progressiva e modificação das atividades que agravam o problema.
Não é preciso jogar ténis
O nome é enganador. A maioria dos pacientes que vejo com epicondilite lateral nunca pegou numa raquete. São pessoas que trabalham ao computador, que usam ferramentas manuais, cozinheiros, pintores, músicos. Qualquer atividade que exija extensão repetida do punho ou preensão forte pode desencadear o problema.
A faixa etária mais afetada situa-se entre os 35 e os 55 anos, e afeta igualmente homens e mulheres. A prevalência na população geral ronda os 1-3%, mas em certas profissões pode ser muito superior.
O que se passa no tendão?
Durante muito tempo chamou-se "tendinite" — assumindo que havia inflamação. Hoje sabemos que, na maioria dos casos crónicos, o que existe é uma degeneração do colagénio do tendão, com desorganização das fibras e neovascularização. É mais correto falar de tendinopatia ou tendinose. E esta distinção importa, porque muda a forma como tratamos.
Se o problema fosse simplesmente inflamação, anti-inflamatórios e repouso resolveriam. Mas frequentemente não resolvem — ou resolvem temporariamente e o problema volta. É que o tendão precisa de carga para se regenerar. Parece contra-intuitivo, mas é o que a ciência nos diz.
O tratamento que funciona
A evidência aponta consistentemente para o exercício de carga progressiva como a intervenção mais eficaz a médio e longo prazo.
Exercício excêntrico — consiste em controlar lentamente o movimento de descida do punho com um peso leve. Um protocolo típico envolve três séries de 15 repetições, duas vezes por dia. É suposto sentir algum desconforto durante o exercício, desde que não ultrapasse um 4 ou 5 numa escala de 0 a 10. Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine em 2005 comparou exercício excêntrico com diferentes modalidades e mostrou resultados superiores a longo prazo.
Terapia manual — mobilização da articulação rádio-umeral e técnicas miofasciais nos extensores do antebraço podem aliviar a dor a curto prazo. Não resolve o problema sozinha, mas facilita o exercício.
Cinta de epicondilite — aquela banda que se coloca abaixo do cotovelo. Distribui a tensão e pode reduzir a dor durante atividades que agravam os sintomas. É um complemento, não um tratamento.
E as infiltrações de corticosteróide?
Este é um tema que gera discussão. As infiltrações aliviam a dor rapidamente — em dias. Mas múltiplos estudos, incluindo uma revisão publicada no Lancet em 2010, mostraram que os resultados a longo prazo são piores do que o exercício ou até do que não fazer nada. Os pacientes infiltrados tendem a ter mais recidivas. Por isso, hoje em dia, muitos clínicos reservam as infiltrações para casos específicos e não como primeira opção.
Quanto tempo demora?
A epicondilite lateral é uma condição teimosa. A maioria dos pacientes melhora significativamente entre as 6 e as 12 semanas de tratamento, mas alguns casos crónicos podem demorar 6 meses ou mais. A boa notícia é que cerca de 80-90% dos casos resolvem-se com tratamento conservador.
Na PHYSIO4ALL, vemos bastantes casos de epicondilite lateral, particularmente em pessoas que trabalham com as mãos. O mais importante que transmitimos é que o tratamento exige paciência e consistência nos exercícios. Não há atalhos, mas há resultados.
Nota: Este artigo tem carácter meramente informativo e não substitui a avaliação por um profissional de saúde qualificado.