Dor lombar crónica: o que a fisioterapia pode fazer por si
Por PHYSIO4ALL
Se tem dor lombar há mais de três meses, saiba que a fisioterapia é considerada uma das intervenções de primeira linha para este problema. Através de exercício terapêutico, terapia manual e educação sobre a dor, é possível reduzir a intensidade dos sintomas e recuperar a funcionalidade no dia-a-dia.
Porque é que a dor lombar se torna crónica?
A maioria das lombalgias agudas resolve-se em poucas semanas. Mas em cerca de 20% dos casos, a dor persiste. E aqui é que as coisas se complicam, porque nem sempre há uma lesão estrutural que explique tudo. Factores como o sedentarismo, o stress, padrões de movimento alterados e até crenças sobre a dor (como o medo de se mexer) contribuem para que o problema se prolongue.
Na minha experiência clínica, muitos pacientes chegam à consulta já convencidos de que têm "a coluna destruída" porque fizeram uma ressonância que mostrou protrusões discais. O que nem sempre lhes foi explicado é que muitas dessas alterações imagiológicas aparecem em pessoas completamente assintomáticas. Um estudo publicado no AJNR em 2015 mostrou que mais de 50% das pessoas com mais de 40 anos apresentam degeneração discal sem qualquer dor.
O que faz o fisioterapeuta na dor lombar crónica?
Não existe uma receita única. O tratamento depende da avaliação individual, e é isso que torna a fisioterapia diferente de tomar um comprimido. O fisioterapeuta avalia a forma como se move, identifica défices de força ou mobilidade, percebe que atividades agravam ou aliviam os sintomas, e constrói um programa à medida.
As abordagens mais comuns incluem:
Exercício terapêutico — é a intervenção com mais evidência científica para a lombalgia crónica. Pode incluir exercícios de estabilização lombar, fortalecimento do core, alongamentos e exercício aeróbio. Uma revisão da Cochrane de 2021 concluiu que o exercício é moderadamente eficaz na redução da dor e na melhoria da função a longo prazo.
Terapia manual — mobilizações articulares e técnicas de tecidos moles podem ajudar a curto prazo, sobretudo quando combinadas com exercício. Não é magia, mas pode facilitar o movimento e reduzir a rigidez inicial que muitos pacientes sentem de manhã.
Educação sobre a dor — parece simples, mas perceber como a dor funciona muda a forma como lidamos com ela. Quando um paciente compreende que dor não é sinónimo de lesão, tende a mover-se mais e a evitar menos. E mover-se é, quase sempre, parte da solução.
Quanto tempo demora a melhorar?
Depende. Sei que não é a resposta que as pessoas querem ouvir, mas é a verdade. Alguns pacientes notam melhoria nas primeiras duas a três semanas. Outros precisam de dois ou três meses de trabalho consistente. O que posso dizer é que a adesão ao programa de exercícios em casa faz uma diferença enorme. Na PHYSIO4ALL, em Gondomar, trabalhamos com os pacientes para encontrar exercícios que consigam integrar na rotina, porque o melhor exercício é aquele que a pessoa realmente faz.
Quando a fisioterapia não chega
Há casos em que a dor lombar crónica precisa de uma abordagem multidisciplinar — envolvendo médico, psicólogo e fisioterapeuta. Se há sinais de alerta como perda de força nas pernas, alterações no controlo de esfíncteres ou perda de peso inexplicada, a avaliação médica é prioritária. Mas na grande maioria dos casos, a fisioterapia é a melhor opção como primeiro recurso. Aliás, as guidelines internacionais da Lancet de 2018 recomendam exactamente isso: tratamento conservador antes de considerar opções invasivas.
Se vive com dor lombar há meses e já tentou de tudo — pomadas, anti-inflamatórios, descanso — vale a pena considerar uma abordagem diferente. Frequentemente, o que falta não é descansar mais, mas sim mover-se melhor.
Nota: Este artigo tem carácter meramente informativo e não substitui a avaliação por um profissional de saúde qualificado.